IGREJA DE JESUS, MARIA E JOSÉ

Nos primórdios do Século XVIII, no ano de 1701, a benemérita Maria de São Tiago, – solteira, filha do Capitão Bartolomeu de Teve que morou na Lomba dos Mosteiros –, doou o terreno para a construção da Igreja e do adro, bem como o terreno anexo de meio alqueire de terra, onde fora construída a residência do cura.

Doou ainda, a mesma senhora, seis alqueires de terra de pão, – enquanto o mundo existisse –, com o rendimento de dois mil reis para sustento do culto. Doação por escritura pública, feita em catorze de Agosto de 1701.

A autorização para a edificação da Igreja foi concedida pelo Rev. Bispo da Diocese de Angra, D. António Vieira Leitão, por alvará datado de vinte e dois de Fevereiro de 1702, conforme documento encontrado no Arquivo. Foi este Documento que criou a Igreja, que os nossos antepassados tanto desejavam para o exercício religioso, de modo especial para a celebração da Eucaristia Dominical.

Com a doação do mencionado terreno, donativos da população e de alguns ricos proprietários, deu-se início à construção da Igreja, a qual terminou em Novembro de 1704. Pequeno templo, simples, de traça genuinamente tradicional das Igrejas dos Açores, com altares de talha modesta, dourados.

No dia dezasseis de Novembro do ano 1704, foi concedida a autorização pelo Bispo Diocesano, para nela se poder celebrar a Eucaristia.

No dia vinte e dois de Abril de 1705, foi colocado o carrilhão de sinos na torre sineira.

Em 1736, t
rinta e dois anos após a construção da Igreja, foi instituída a permanência do Santíssimo Sacramento, facto que o povo considerou uma Bênção de Deus. De seguida os fiéis reuniram-se com o sacerdote a fim de organizar uma Irmandade, com novos Confrades e assim se separarem da Confraria do Santíssimo Sacramento da Paróquia de Ginetes.

Os estatutos da nova Confraria foram formulados naquela reunião e apresentados aos irmãos com a seguinte redacção:

1° Cada irmão pagaria de pensão, no mês de Janeiro de cada ano 50 reis.
2° Com o produto das pensões se mandaria celebrar Missas comuns
3° Só dos irmãos poderiam ser eleitos os Mesários.
4° Os irmãos teriam o direito de acompanhamento da Irmandade à sepultura.
5° Pagariam 400 reis pelas insígnias à sepultura, os não irmãos.
6° Haveria na Irmandade um Provedor, um escrivão, um tesoureiro e dois Mordomos.
7° Seriam esmoladas as Missas, com a taxa de 200 reis.

Depois de assinados os Estatutos da Confraria, os Mesários foram nomeados administradores dos rendimentos da Igreja.

No ano de 1785, o Pe. João Francisco Rebelo adquiriu o retábulo para o Altar-mor ao Vigário da Matriz de Ponta Delgada, para entronizar o Patrono Jesus, Maria e José, por cerca de vinte e cinco mil reis. No mesmo ano forrou-se de madeira o Arco Cruzeiro e assoalhou-se de novo o pavimento da Igreja.

O momento mais triste da sua história deu-se no ano de 1810, quando fortíssimos abalos de terra destruíram a torre sineira e os sinos, bem como a parte superior do frontispício.

A sua reconstrução foi morosa, pelas dificuldades económicas da época. Em 1818 foi reconstruído o frontispício por ser economicamente mais viável. Após sessenta e cinco anos, entre 1881 e 1883, por iniciativa do Pe. Manuel Francisco Amaral, foi reedificada a torre sineira, à custa de muitas esmolas do povo e de valiosos donativos do rico proprietário, Augusto César de Menezes, que ofereceu também o novo carrilhão de sinos. Deste carrilhão, actualmente existe o sino médio e o mais pequeno, gravados com as iniciais "JMJ-1882".

No ano de 1908, o Pe. António de Melo mandou ampliar a Capela-Mor e dedicou-se com especial zelo à decência e asseio da Igreja.

O primeiro sacerdote que pastoreou este Curato de Jesus, Maria e José, foi o Pe. Lourenço Cabral de Melo, que exerceu o seu ministério sacerdotal até 1722. Dezoito anos.

Por este Curato passaram muitos sacerdotes que evangelizaram uma Comunidade nobre e de tradições religiosas de gente crente.

Na Comunidade de Jesus, Maria e José, destacam-se as Festas em Honra dos  nossos Patronos, Jesus, Maria e José no último Domingo de Julho; as Festas do Espírito Santo no dia de Pentecostes e no dia de São Pedro e a Festa em Honra de São Lázaro Bispo no Quinto Domingo da Quaresma.

No dia vinte e um de Novembro de 2004, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, celebramos o Terceiro Centenário da edificação da nossa Igreja, com Eucaristia Solene de Festa e Procissão em Honra do Santíssimo Sacramento.

Nos anos mais recentes, realizaram-se profundas obras de restauro e conservação da Igreja, como substituição do telhado, revestimento de paredes  interiores e exteriores, rede eléctrica, pavimento da nave e presbitério e pintura.

No ano de 2008, foram restaurados os sinos com um sistema automático e computorizado, comandado à distância por comando e telemóvel.  Das 7 às 21 horas, o sistema dispara a cada trinta minutos, tocando o sinal horário. 

"Várzea dos Açores"